Desenvolvimento das Unidades de Saúde Pública (2009-2010)


filipe - Publicado a 21 Abril 2009

Para que as novas Unidades de Saúde Pública correspondam às expectativas criadas é necessário assegurar uma formação adequada para os seus profissionais, e para aqueles que com eles colaboram.

Assim, os principais objectivos da Rede Saúde Pública 21 são:

  • Reflectir sobre as competências capacidades necessárias para o bom desempenho das Unidades de Saúde Pública;
  • Organizar um Consórcio Nacional para organização e implementação da formação para as Unidades de Saúde Pública.

 

A formação para as Unidade de Saúde Pública terá duas componentes:

  • Componente à distância;
  • Componente presencial.

 

Na actual versão do programa de formação, a componente presencial e a componente à distância são sobrepostas (mesmos módulos).

No entanto, esta relação pode tornar-se mais flexível tendo em conta a oferta disponível e a escola dos formandos.

 

O primeiro objecto de interacção na Rede Saúde Pública 21 é portanto o programa de formação para as Unidades de Saúde Pública e particularmente os dois aspectos seguintes:

  • A estrutura de conteúdos do programa de formação;
  • A estrutura dos "modelos" que integram as áreas curriculares identificadas.

 

O segundo objecto de interacção da Rede Saúde Pública 21 é centrar-se numa reflexão sobre o futuro da Saúde Pública. Como ponto de partida sugere-se o texto preparado pela EUPHA em 2007 (anexo).

A sugestão é apresentar o resultado dessa reflexão/debate no próximo congresso de Saúde Pública.

AnexoTamanho
eupha_10_statements.pdf833.66 KB

Felicidade Ortega; Filomena Ferreira; Joaquim Bodião; Helena Sousa; Lisete Romão; Manuel Galego; Margarida Saudade; Paula Campo; Túlia Quinto

Capacitação das USP p/ identificação das prioridades locais

 

Componentes de capacitação

Dimensões de capacitação

 

Infra-Estruturas

Sustentabilidade

Resolução de problemas

Estruturas organizacionais

Saúde – UCC; USF; ACES

Autarquias

Educação/Universidades

IPSS

PSP/GNR

…………

Formalização de parcerias e compromissos

Elaboração de protocolos

Plano local de saúde

Flexibilidade

Colaboração

Avaliação

Competência

Liderança do processo

Promoção de desenvolvimento de competências noutras estruturas

Trabalhar os factores de risco/determinantes de saúde

Relações de confiança

Liderança de suporte

Visão partilhada

Sentido de comunidade

Comunicação

Capacidade de:

  Partilha de poder

  Participação

  Reflexão

   Aprendizagem

   Assunção do risco

  Compromisso

  Inovação

Recursos (adjudicação)

Apoio logístico/partilha de recursos

       Humanos

       Materiais

       Financeiros

Aptidões e conhecimentos profissionais/necessidades formativas

Qualidades pessoais

Pluridisciplinar idade

Financiamento

Tempo

     

 

“Some people hate the very name of statistic but I find them full of beauty and interest. Whenever they are not brutalize, but delicately handled by the higher methods, and are warily interpreted, their power of dealing with complicated phenomena i

Capacitação e Literacia em Saúde

 

 

Joaquim Modião; Filomena Ferreira; Lisete Romão; Manuel Galego; Vera Machado

Medição do Impacte nos ganhos em saúde

 

1 – Comportamentais (padrões de consumo/acções preventivas e auto-cuidados)

 1.1.N.º de embalagens de anti-depressivos receitados;

1.2. N.º de cidadãos mobilizados para a prática de exercício físico;

1.3. Número de amputações em diabéticos;

1.4. Diminuição das doenças infecto contagiosas evitável pela vacinação;

1.5.% de ex-fumadores.

 2 - Ambientais

2.4. N.º de instituições que acolhem crianças

2.1. N.º de acidentes de trabalho;

2.2. N.º de intoxicações alimentares;

2.3. % de análise da água de consumo humano imprópria para o fim a que se destina;

e jovens com necessidades especiais

 3 – Vitais

 3.1. Taxa de morbilidade específica;

3.2. Taxa de mortalidade específica;

3.3. Taxa de fertilidade;

3.4. Determinação do IMC em crianças e jovens em idade escolar (ESG)

 4 – Sociais

 4.1. % de desempregados

4.2. % de habitações com energia renováveis

4.3. Número de casos de buillyng denunciados

4.4. % de absentismo escolar;

4.5. % absentismo ao trabalho;

4.6. % de crimes violentes provocados por jovens

 

“Some people hate the very name of statistic but I find them full of beauty and interest. Whenever they are not brutalize, but delicately handled by the higher methods, and are warily interpreted, their power of dealing with complicated phenomena i

A todos quero desejar um ano 2011 pleno de sucessos profissionais e pessoais. Os serviços operativos de saúde pública são essenciais ao desempenho do sistema de serviços de saúde (efectividade, equidade, eficiência e escolha) e aos seus outcomes pretendidos: saúde, protecção contra o risco financeiro da doença e satisfação do consumidor. Por outro lado, são a "ponte" com os restantes sistemas sociais e os catalisadores de intervenções concertadas em prol da saúde.
Desejo que o ano que agora se inicia, inquestionavelmente associado a um contexto social e económico crítico, seja o ano em que o serviços operativos de saúde pública afirmam, de forma inequívoca, a sua mais-valia perante a sociedade que servem e perante a tutela.

Lúcio Meneses de Almeida (DSPP/ARSC)

Grupo I – António Paula Campos; Felicidade Ortega; Manuel José Galego e Margarida Saudade e Silva

Formação para as Unidades De Saúde Públicas (USP)

Caracterize as diferentes parcerias existentes no âmbito das USP na implementação das estratégias Locais de Saúde (ELS) [factores facilitadores e constrangimentos].

  • Agrupamentos escolas (escolas e outras instituições de ensino);

 

  • Câmaras Municipais (Autarquias);

 

  • Instituições de Solidariedade Social (Misericórdias; Caritas; Cruz Vermelha;...);

 

  • Associações de Municípios;

 

  • Autoridades Policiais;

 

  • Protecção Civil;

 

  • Associação de empresários (Comércio; Indústria e outras);

 

  • Diferentes Instituições de Saúde (Públicas/Privadas),

 

  • Diferentes Unidades de Saúde dos ACES (USF; UCC; etc...);

 

  • Instituições Recreativas/Desportivas.

 

 

 

 

Agrupamentos escolas (escolas e outras instituições de ensino)

Facilitadores:

  • Diferentes perspectivas do problema e da sua resolução;
  • Aumento dos recursos humanos;
  • Aumento dos recursos logísticos;
  • Aumento dos recursos económicos;
  • Uma visão de “saúde” mais enfocada em determinados problemas de “ falta de saúde”.

Constrangimentos:

  • Estruturas “frágeis” no poder de decisão;
  • Ausência de colaboração com a criação de eventuais resistências dos diferentes intervenientes que compõem o Agrupamento escolar;
  • Diferentes etnias nas escolas com diferentes perspectivas e soluções de problemas de “ falta de saúde”.

 

Câmaras Municipais (Autarquias)

Facilitadores:

  • Permite muito mais facilmente o acesso às diferentes estruturas existentes na região;
  • Aumento dos recursos humanos (ex: veterinários, sociólogos, etc...);

 

  • Aumento dos recursos logísticos;

 

  • Aumento dos recursos económicos;

 

  • Melhora a ligação das diferentes estruturas da comunidade onde se está inserido:

 

  • Poder de decisão mais global.

 

Constrangimentos:

 

  • Burocracia;
  • Poder de decisão político;
  • Mudanças dos diferentes protagonistas das Autarquias com regularidade.

 

Instituições de Solidariedade Social (Misericórdias; Caritas; Cruz Vermelha;...)

Facilitadores:

  • Aumento dos recursos humanos (ex: psicólogos, assistentes sociais, sociólogos, etc...);
  • Aumentos dos recursos económicos;
  • Permite, e facilita, um acesso muito mais rápido e eficaz a grupos populacionais em risco (idosos, crianças);
  • Aumento dos recursos logísticos (muitas instituições têm serviços de saúde).

 

Constrangimentos:

  • Instituições fechadas (as que não têm acordo com a Segurança Social);
  • Resistência à mudança (perda de poder?);
  • Falta de recursos.

 

Associações de Municípios

Facilitadores:

  • Coordenação de acções/programas comuns em diferentes municípios;
  • Aumento do apoio logístico.

 

Constrangimentos:

  • Diferentes perspectivas politicas de resolução dos problemas de saúde;
  • Municípios que embora pertençam ao ACES e que não se representam na Associação.

Autoridades Policiais

Facilitadores:

  • Aumento do apoio logístico.

 

Constrangimentos:

  • Pouco poder de decisão e lento.

 

Protecção Civil

Facilitadores:

  • Aumento dos recursos humanos;
  • Aumento dos recursos logísticos;
  • Aumento dos recursos económicos; Maior coordenação das diferentes estruturas;
  • Existência de planos de emergência já elaborados (embora por vezes não testados).

 

Constrangimentos:

 

  • Rotação frequente das chefias e dos técnicos;
  • Ausência de validação, no terreno, dos planos existentes.
  • Burocracia.

 

Associação de empresários (Comércio; Indústria e outras)

Facilitadores:

  • Aumento dos recursos logísticos (facilita e permite o contacto com as diferentes estruturas que dela fazem parte);
  • Facilita as decisões (pois representa um grupo populacional);
  • Aumento dos recursos económicos.

 

Constrangimentos:

 

  • Rotação frequente das chefias;
  • Interesses (económicos? Regionais?) por vezes não coincidentes a resolução do problema de “ falta de saúde”.

 

Diferentes Instituições de Saúde (Públicas/Privadas)

 

Facilitadores:

  • Multidisciplinaridade dos diferentes profissionais que delas fazem parte;
  • Aumentos dos recursos logísticos;
  • Aumento das condições de trabalho dos diferentes profissionais de saúde.

Constrangimentos:

 

  • Ausência de experiência de trabalho em equipa;
  • Rivalidade entre os diferentes profissionais de saúde;
  • Choque de competências.

 

 

Diferentes Unidades de Saúde dos ACES (USF; UCC; etc...)

Facilitadores:

  • Trabalho em equipa (já existente);
  • Acesso a um maior número de dados de saúde;
  • Multidisciplinaridade dos diferentes profissionais que delas fazem parte.

 

Constrangimentos:

 

  • Espírito individualista;
  • Diferentes chefias;
  • Falta de colaboração (medo de perder o protagonismo).

Instituições Recreativas/Desportivas

Facilitadores:

  • Diferentes visões do problema de “ falta de saúde”;
  • Facilita o desenvolvimento dos diferentes programas (e acções) que se querem fazer com a população alvo.

Constrangimentos:

 

  • Rivalidade entre as diferentes instituições desportivas;
  • Rotação frequente das chefias

 

 

 

 

 

Estratégias de motivação para a acção (cenários futuros)

 

  • Processo participado institucional envolvendo todos os parceiros de modo igual;

 

  • Negociação (discussão) dos problemas de “ falta de saúde” detectados na comunidade com todos os parceiros intervenientes;

 

 

  • Consenso o mais alargado possível na tomada de decisões,

 

  • Responsabilização das decisões tomadas;

 

 

  • Partilhar os resultados com todos os intervenientes;

 

“Some people hate the very name of statistic but I find them full of beauty and interest. Whenever they are not brutalize, but delicately handled by the higher methods, and are warily interpreted, their power of dealing with complicated phenomena i

Ensinar a pescar não é dar o peixe, mas implica uma cana de pesca.
A formação dos profissionais das USP tem como finalidade dotar os participantes - que não meros "formandos" - com os instrumentos necessários a uma prática da Saúde Pública traduzida em ganhos em saúde. Sendo as USP componentes essenciais do sistema ACES (actuando a montante - identificação de necessidades de saúde e sua priorização - e a jusante - avaliação do impacte das intervenções em saúde) e a Saúde Pública dinâmica, porque dinâmicos são os problemas de saúde das populações, estranho seria estas unidades funcionais não serem contempladas com formação específica.
Nessa medida, saúda-se esta iniciativa e o cuidado colocado no seu planeamento, reflectido na participação das ARS como parceiros (ou não fossem os ACES serviços desconcentrados das ARS). Pelo facto de incluir profissionais dos DSP das ARS, esta formação concorre, por si só, para uma articulação mais efectiva entre os serviços de saúde pública de âmbito local e regional (diluem-se preconceitos negativos e promove-se a empatia).
A utilização das tecnologias emergentes como instrumento didáctico e comunicacional é uma mais-valia formativa - sem prejuízo de se poder assumir como uma "barreira" relativamente aos participantes refractários a estas tecnologias.
Assim haja condições ("cana de pesca") para utilizarmos as competências adquiridas ou "refrescadas" no decurso desta formação.

Lúcio Meneses de Almeida (DSPP/ARSC)

Será fundamental para a reforma dos CSP o desenvolvimento das USP com estratégias locais, adpatadas ás realidades e sempre em pleno crescimento e desenvolvimento com integração e ligação com todas unidades funcionais em especial com a Direcção Executiva e o Conselho Clínico..

 

Teresa Machado Luciano