Vigilância e Investigação Epidemiológica
O Enfermeiro colabora e participa na vigilância epidemiológica de doenças transmissíveis e não transmissíveis; e das decorrentes de atribuições perante emergências em Saúde Pública.
Monitorização das Doenças de Declaração Obrigatória
- Participa na realização de inquéritos epidemiológicos das Doenças de Declaração Orbigatória;
- Articula com profissionais de saúde de outras unidades funcionais e de outras instituições;
- Participa no planeamento e determinação de medidas de prevenção e colabora na sua implementação;
- Participa no planeamento e execução de rastreio de doenças transmissíveis com especial atenção no caso da Tuberculose Pulmonar;
- Planeia e realiza acções de sensibilização sobre medidas de prevenção, dirigidas á população/grupos susceptíveis e aos profissionais dos serviços de saúde;
- Participa na elaboração/actualização do manual de procedimentos de intervenção, em situações de ocorrência de doenças transmissíveis (procedimentos dos serviços de saúde , dos profissionais e dos utentes);
Vigilância das Doenças Evitáveis pela Vacinação
- Participa na realização do inquérito epidemiológico das Doenças evitáveis pela vacinação;
- Identifica contactantes e o seu estado vacinal;
- Transmite e aconselha medidas preventivas;
- Articula com profissionais de saúde de outras unidades funcionais;
Monitorização das Toxi-infecções Alimentares Colectivas
- Participa/colabora na monitorização e investigação epidemiológica dos casos de Toxinfecções Alimentares;
Monitorização de Doenças não Transmissíveis e dos seus determinantes
- Participa/colabora na monitorização de Doenças não Transmissíveis;
- Colabora na identificação de factores condicionantes e determinantes (Culturais, ambientais, sociais, económicos, outros);
Avaliação do Impacte em Saúde dos riscos ambientais
- Participa na monitorização das repercussões na saúde das populações nomeadamente devidas a alterações climáticas e alterações do padrão epidemiológico das doenças de transmissão vectorial;
Sistema de ALERTA
- Participa na elaboração, execução e avaliação dos Planos de Contingência Locais específicos para situações de risco identificadas e que sejam da responsabilidade das USP;
- Participa na elaboração, execução e avaliação do Plano de Contingência Local da Gripe Pandémica;
- Participa na elaboração, execução e avaliação do Plano de Contingência Local das Ondas de Calor.

A multidisciplinaridade é um componente essencial da vigilância e investigação em Saúde Pública no decurso de surtos (independentemente da sua etiologia). Nessa medida, o enfermeiro de saúde pública/saúde comunitária tem um papel da maior relevância, designadamente no que diz respeito à recolha de informação individual e clínica.
Infelizmente, a escassez de recursos humanos na área da enfermagem de saúde comunitária - seja primária, resultante do insuficiente número de efectivos com esta diferenciação na rede de cuidados primários de saúde, seja pela sua alocação prioritária em actividades de âmbito individual/curativas (“escassez secundária”)- não permite a sua colaboração em muitas das áreas para as quais está vocacionado.
De acordo com a OMS, a comunicação do risco é tão importante na gestão de um surto como a investigação epidemiológica ou o apoio laboratorial. O comunicador do risco faz a "ponte" entre a evidência científica (avaliação do risco) e o público em geral, ajustando a percepção grupal do risco à evidência disponível e, simultaneamente, comunicando as medidas de controlo preconizadas (associadas à gestão do risco).
Sem prejuízo da multidisciplinaridade intrínseca à prática da Saúde Pública, uma equipa tem de ter um líder inequívoco, sob pena de uma resposta inefectiva numa situação, já de si, geradora de um particular sentido de urgência na tomada da decisão, como é o caso dos surtos. A nível local, esse papel cabe ao coordenador da USP/delegado de saúde do ACeS - sem prejuízo da resposta mais "operativa" (i.e., in situ) poder ser assegurada pelo profissional responsável pela equipa de controlo do surto (OCT), reportando directamente ao primeiro.
No que diz respeito às doenças de evolução prolongada (associadas a estilos de vida), cada vez mais prevalentes, o enfermeiro de saúde comunitária - mas também o enfermeiro que presta cuidados directos e individuais - tem um papel fundamental na capacitação e literacia em saúde dos utentes e no aconselhamento para a correcção de estilos de vida, visando a adopção e manutenção de comportamentos e atitudes promotores de saúde.
Mais uma vez, exige-se uma estratégia integrada e coordenada, sob pena de serem veiculadas informações contraditórias ou de serem desperdiçados recursos (tempo) já de si tão escassos.
Lúcio Meneses de Almeida (DSPP/ARSC)